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O dinheiro da clínica

Quanto custa o paciente que não fecha, e por que ele não é gratuito

A clínica mede quanto custa trazer um paciente. Quase nenhuma mede quanto custa atender quem não fecha, e esse número costuma ser maior do que o primeiro.

Dr. Luciano Alves Neves

Consultório da clínica. Cada avaliação ocupa a mesma cadeira, feche ou não feche.
Consultório da clínica. Cada avaliação ocupa a mesma cadeira, feche ou não feche.

Quem não fecha também consome. A diferença é que o custo de quem fecha aparece no relatório de aquisição, e o custo de quem não fecha não aparece em lugar nenhum.

São 15h de uma quinta e a agenda mostra seis avaliações no dia. Ao fim do expediente, duas viraram tratamento. As outras quatro saíram com "vou pensar", e ninguém na clínica registrou o que elas custaram.

O que a avaliação consumiu antes de virar "não"

A conversa que não fecha já gastou quatro coisas, e todas são pagas:

O anúncio que trouxe a pessoa. Se o custo por lead é de R$ 40 e são precisos quatro leads para uma avaliação marcada, a avaliação chega custando R$ 160 antes de alguém falar com ela.

O tempo da recepção, que respondeu, confirmou, remarcou uma vez e confirmou de novo.

O seu tempo, ou o do profissional que avaliou. Uma hora de avaliação é uma hora de porta aberta, com aluguel, equipe e energia correndo.

A vaga na agenda, que é o único dos quatro que não volta. O horário das 15h de quinta existiu uma vez.

A conta, com números que você já tem

Não é preciso sistema novo. Todos os dados estão em lugares que a clínica já preenche:

O que somarOnde encontrar
custo por avaliação marcadainvestimento em anúncio ÷ avaliações do mês
custo da hora clínicadespesa mensal fixa ÷ horas de porta aberta
avaliações que não fecharamagenda do mês, marcadas menos convertidas

O custo mensal das avaliações que não fecham é a soma do primeiro com o segundo, multiplicada pelo terceiro. Se a clínica faz 40 avaliações por mês, converte 12, e cada avaliação custa R$ 160 de anúncio mais R$ 180 de hora clínica, as 28 que não fecharam custaram R$ 9.520 naquele mês.

Esse número não é desperdício por definição. Nenhuma clínica converte tudo, e não deveria. O que ele revela é outra coisa.

O que o número muda na decisão

Quando o custo do "não" é invisível, toda conversa sobre comercial vira conversa sobre volume: trazer mais gente, anunciar mais, encher mais a agenda. Quando ele fica visível, a pergunta muda de lugar.

Uma clínica que gasta R$ 9.520 por mês em avaliações que não fecham tem duas alavancas, e a segunda quase nunca é usada. A primeira é reduzir o custo de trazer. A segunda é subir a conversão, e ela costuma ser mais barata: cada ponto percentual a mais aproveita gente que já está sentada na cadeira.

Subir de 30% para 40% de conversão nas mesmas 40 avaliações: 40 × 0,30 = 12 tratamentos contra 40 × 0,40 = 16. São quatro a mais por mês, sem gastar um real a mais em anúncio.

Onde a conversão costuma vazar

A avaliação que não fecha raramente perde na hora do preço. Ela perde antes, em pontos que são mensuráveis:

Quem chegou não era o público que a clínica atende, e isso se resolve antes da agenda, no filtro de quem marca.

A pessoa não entendeu o que foi proposto, porque a explicação foi clínica e a dúvida dela era prática.

A proposta não teve continuidade. Saiu "vou pensar" e ninguém voltou, ou voltou uma vez, três dias depois, por mensagem genérica.

O terceiro é o mais comum e o mais barato de corrigir, e está descrito em os quatro pontos onde o paciente desiste.

O que este texto não afirma

Nenhum percentual de conversão aqui é referência de mercado. Os números do exemplo são ilustrativos e servem para mostrar a estrutura da conta, não para comparar clínicas.

O que ele afirma é mais simples: o paciente que não fecha tem custo, o custo é calculável com dados que a clínica já tem, e enquanto ele não é calculado a discussão comercial fica presa em volume.

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