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Marketing e captação

Antes e depois no Instagram: a regra do CFM que derruba quase todo post

Quem responde pelo perfil da clínica não é a agência, é o diretor técnico médico. E a regra de imagem é mais restritiva do que quase todo perfil supõe.

Dr. Luciano Alves Neves

Recepção da clínica. O que é publicado sobre ela responde pelo diretor técnico médico, não pela agência.
Recepção da clínica. O que é publicado sobre ela responde pelo diretor técnico médico, não pela agência.

A regra que derruba mais post de clínica no Instagram não é sobre texto. É sobre imagem, e ela é mais restritiva do que quase todo perfil supõe.

A Resolução CFM nº 2.336/2023 organiza o que pode e o que não pode na publicidade médica. Este texto é orientação geral e não substitui a leitura da norma nem parecer do seu CRM regional, que é quem decide caso concreto.

Quem responde pelo perfil não é a agência

O primeiro ponto muda a natureza do risco. A responsabilidade pelo conteúdo publicado é do diretor técnico médico do estabelecimento, não do prestador de serviço contratado para produzir o material.

Na prática isso significa que terceirizar a produção não terceiriza a responsabilidade. O contrato com a agência distribui trabalho; ele não distribui a consequência ética, que continua pessoal e nominal.

A decorrência operacional é direta: alguém com formação médica precisa aprovar o que vai ao ar, antes de ir ao ar. Se essa aprovação não existe como etapa, ela vira mais uma decisão que volta para a sua mesa depois do problema, como em as decisões que voltam para a sua mesa.

A regra de imagem que quase ninguém aplica inteira

O ponto mais desconhecido é o tratamento de imagem. A norma veda a divulgação de imagem que tenha sofrido edição, e a leitura corrente disso é ampla: filtro, ajuste, recorte que altere a percepção do resultado e montagem entram nessa vedação.

Isso é o que derruba a maior parte dos "antes e depois" publicados. Não é o formato antes e depois que é o problema central; é que a imagem publicada precisa não ter passado por edição, e a maioria passou, muitas vezes por padrão do próprio aplicativo.

Situação comumO ponto de atenção
Antes e depois com filtro ou ajuste de coredição de imagem, vedada
Iluminação e ângulo diferentes entre as duas fotosaltera a percepção do resultado
Depoimento de paciente republicado no perfilvira publicação sua, com sua responsabilidade
Selo de "melhor médico" ou premiação comercialvedado pela norma
Pós-graduação apresentada como especialidadeexige indicação clara de não especialista
Story com o mesmo conteúdo do feedsegue exatamente a mesma regra

A linha de story merece destaque porque a suposição contrária é comum. Conteúdo temporário não tem regime mais leve: some da tela, não some da responsabilidade.

Depoimento de paciente: o detalhe que pega

Republicar o elogio que o paciente postou espontaneamente transforma aquele conteúdo em publicação sua. O que era manifestação de terceiro passa a ser material de divulgação do estabelecimento, com as mesmas exigências de qualquer outro.

O caminho de menor risco é conhecido e menos vistoso: relato de experiência sem promessa, sem número de resultado e sem sugestão de garantia. Quem quiser usar prova social com segurança precisa aceitar que ela será mais sóbria do que a do mercado ao lado.

Pós-graduação não é especialidade

Divulgar título de pós-graduação como se fosse especialidade é uma das infrações mais frequentes e mais fáceis de evitar. Quando a área de atuação divulgada não corresponde a especialidade registrada, a norma exige que isso apareça de forma clara e destacada.

Vale a checagem simples: leia a bio do perfil e pergunte se um paciente leigo concluiria que existe especialidade registrada ali. Se a resposta for sim e o registro não existir, a bio precisa mudar hoje.

O que sobra para publicar, e é bastante

A leitura pessimista é que a norma inviabiliza marketing médico. Não inviabiliza: ela empurra para o conteúdo que educa, que é justamente o que sustenta autoridade por mais tempo que foto de resultado.

Explicar como uma condição é investigada, o que muda entre duas condutas, o que o paciente deve observar antes de procurar ajuda e como funciona o processo dentro da clínica é permitido, é útil e não depende de imagem editada.

E há um efeito prático de negócio: conteúdo que explica costuma trazer paciente mais preparado, o que reduz o atrito nas etapas descritas em onde o paciente desiste depois do anúncio e facilita a conversa de preço com o paciente.

A rotina de aprovação que evita o problema

Três passos, executados sempre na mesma ordem, resolvem a maior parte do risco:

  1. Aprovação médica antes da publicação, nominal, de quem responde tecnicamente.
  2. Checagem de imagem, confirmando que não houve edição, filtro ou montagem.
  3. Registro do que foi ao ar, com data, para poder reconstruir qualquer publicação.

O terceiro é o mais ignorado e o que mais ajuda se houver questionamento. Conteúdo temporário some da tela em 24 horas; a necessidade de comprovar o que foi publicado, não.

Perguntas frequentes

O CFM proíbe antes e depois? A norma veda a divulgação de imagem que tenha sofrido edição, e é isso que derruba a maioria dos antes e depois publicados. Antes de qualquer publicação desse tipo, a leitura da Resolução 2.336/2023 e a consulta ao CRM regional são o caminho seguro.

Quem responde pelo Instagram da clínica? O diretor técnico médico do estabelecimento. Contratar agência distribui a produção, não a responsabilidade ética, que permanece pessoal.

Posso republicar elogio de paciente? Ao republicar, aquele conteúdo passa a ser publicação sua e segue as mesmas regras de qualquer material de divulgação, incluindo a vedação a promessa de resultado.

Story tem regra diferente do feed? Não. Conteúdo temporário está sujeito às mesmas exigências, e o fato de sair do ar depois não altera a responsabilidade sobre o que foi publicado.

O próximo passo é revisar a bio antes do próximo post

Abra o perfil da clínica e leia a bio como se fosse paciente. Se ela sugere especialidade que não está registrada, ou exibe selo comercial de premiação, esses dois ajustes são os mais rápidos e os que mais reduzem risco imediato.

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Fontes

  • Resolução CFM nº 2.336/2023, que dispõe sobre publicidade e propaganda médicas

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